# A conquista do nome próprio: livro sobre identidade e autodenominação

> Obra de 2005 das autoras Lohana Berkins e Josefina Fernández, a ficha da Open Library indica temas como travestilidade, transexualidade, transgeneridade e crossdressing em torno do direito de nomear a própria identidade.

- Tema: Livros
- Tags: livro, identidade, travesti, trans, crossdressing, argentina, nome-social
- URL: https://camarimcross.com.br/a/a-conquista-do-nome-proprio-livro-sobre-identidade-e-autodenominacao
- Fonte original: Open Library - livros (https://openlibrary.org/works/OL19416044W)
- Atualizado: 2026-11-01

## Um livro de contexto, não de aparência

Quando o assunto é crossdressing, é comum pensarmos primero em roupas, sapatos, maquiagem e looks. Mas existe uma camada anterior a tudo isso: o direito de dizer quem você é e como quer ser chamada. É nessa seara que entra *La gesta del nombre propio*, obra de 2005 assinada por Lohana Berkins e Josefina Fernández.

A ficha da Open Library classifica o livro sob assuntos como transgenderismo, travestilidade, transexualidade e crossdressing. Ou seja: não se trata de um manual de moda ou de um guia de maquiagem. É uma leitura sobre identidade, reconhecimento social e as disputas em torno do nome próprio.

## O que o título sugere

*La gesta del nombre propio* pode ser traduzido como algo próximo de “A conquista do nome próprio”. A palavra “gesta” remete a uma trajetória, a uma luta construída ao longo do tempo — não a um capricho individual. Essa ideia ajuda a entender por que o nome tem tanto peso para pessoas travestis, trans e crossdressers.

Nome não é só registro em documento. É como a pessoa se apresenta, como quer ser tratada no trabalho, na escola, no posto de saúde, na família e nos grupos de convivência. Para muitas pessoas, usar o nome com que se identificam é uma condição para se sentir respeitada e para circular com menos medo.

## Lohana Berkins e Josefina Fernández

Lohana Berkins foi uma importante liderança travesti argentina, com atuação em direitos humanos e visibilidade. Josefina Fernández é pesquisadora e autora ligada a estudos de gênero. A parceria das duas na publicação de 2005 ajuda a situar o livro em um momento de organização política e produção de conhecimento sobre experiências travestis e trans na América Latina.

Isso não significa que a obra seja distante do cotidiano. Pelo contrário: ao colocar o nome próprio no centro, ela conversa com situações muito concretas, como preencher um formulário, ser chamada em uma consulta médica, apresentar-se em uma entrevista de emprego ou ser aceita em uma roda de amigos.

## Travesti, trans, crossdresser e drag: cada coisa no seu lugar

Um cuidado importante ao ler livros com esses temas é não tratar identidades diferentes como sinônimos. A ficha da obra usa termos que, no debate atual, podem ter leituras distintas:

- **Crossdressing**: expressão de gênero por meio de roupas e apresentação, sem necessariamente implicar uma identidade trans.

- **Travesti**: identidade política e cultural latino-americana, com histórias próprias e grande peso na luta por direitos.

- **Pessoa trans**: termo guarda-chuva para quem não se identifica com o gênero atribuído ao nascer.

- **Drag**: performance artística e política, que pode ser feita por pessoas de diferentes identidades.

- **Pessoa não binária**: quem não se reconhece exclusivamente como homem ou mulher.

Essas categorias podem se cruzar em algumas trajetórias, mas não são a mesma coisa. Respeitar como cada pessoa se nomeia é parte central do tema do livro.

## Por que isso importa no Brasil

No Brasil, o uso do nome social em órgãos públicos federais é garantido pelo Decreto 8.727/2016. Desde 2018, pessoas trans também podem solicitar alteração de nome e gênero diretamente em cartório, conforme regras do Conselho Nacional de Justiça. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo.

Ainda assim, o acesso a esses direitos não é automático em todos os lugares. Muitas pessoas enfrentam constrangimento, pedidos de “comprovação”, olhares e recusas. Por isso, livros que discutem o nome próprio ajudam a lembrar que reconhecimento não é favor: é parte da dignidade e da cidadania.

## Como ler a obra

Não espere um passo a passo sobre como se montar. Espere um livro de contexto, com valor histórico e político. Algumas dicas para aproveitar a leitura:

- Leia no seu ritmo e anote os termos que forem novos para você.

- Relacione o conteúdo com a sua realidade, mas sem cobrar de si uma definição imediata.

- Se estiver começando a explorar a expressão de gênero, procure grupos e espaços que respeitem o seu nome e a sua privacidade.

- Lembre que identidade é uma experiência pessoal; não há um jeito “certo” de ser crossdresser, travesti, trans ou não binária.

## Para quem é

O livro interessa a quem quer entender melhor a história das lutas por identidade na América Latina, a quem pesquisa gênero e a quem simplesmente deseja ampliar o repertório sobre nome social e reconhecimento. Para o público do crossdressing, é uma leitura que ajuda a separar expressão de gênero de estereótipos e a olhar para o tema com mais contexto e respeito.

Se você está começando, não precisa ler tudo de uma vez. Comece pelas partes que mais dialogam com suas dúvidas e vá conversando com pessoas de confiança. Informação boa não apressa ninguém: ela abre caminhos com mais segurança.

## Segurança

- Ao compartilhar histórias pessoais ou documentos, proteja dados como CPF, endereço e nome civil; escolha com cuidado quem tem acesso a essas informações.
- Se buscar apoio, prefira grupos, profissionais e serviços que respeitem o nome e a identidade da pessoa, sem exigir explicações que a constranjam.
