# Berlim e o “terceiro sexo”: o retrato de Hirschfeld em 1904

> O livro de Magnus Hirschfeld, de 1904, retrata a cultura LGBTQ+ de Berlim no início do século 20 e ajuda a entender como o termo “terceiro sexo” era usado antes das categorias atuais.

- Tema: Livros
- Tags: magnus hirschfeld, história lgbtq+, berlim, terceiro sexo, crossdressing, livros
- URL: https://camarimcross.com.br/a/berlim-e-o-terceiro-sexo-o-retrato-de-hirschfeld-em-1904
- Fonte original: Open Library - livros (https://openlibrary.org/works/OL3769820W)
- Atualizado: 2026-10-30

Publicado em 1904, *Berlins Drittes Geschlecht* — algo como “O terceiro sexo de Berlim” — é um retrato de divulgação científica da vida LGBTQ+ na capital alemã na virada do século 20. O autor, Magnus Hirschfeld, era médico e se tornaria uma das figuras centrais da sexologia alemã; mais tarde, em 1919, fundaria o Institut für Sexualwissenschaft, em Berlim. O volume também aparece em registros com a forma francesa *Les homosexuels de Berlin*, como na ficha da Open Library.

A obra não é um romance nem um manual de comportamento. É um texto de popularização que procura apresentar ao público leitor a sociabilidade, os espaços de encontro, as angústias e os prazeres de uma subcultura que existia na Berlim da época. Para quem estuda história da sexualidade e da expressão de gênero, o livro funciona como uma janela para um momento em que essas experiências começavam a ser descritas com mais simpatia e menos condenação moral.

## Um olhar raro em uma época de repressão

Na Alemanha imperial, a homossexualidade masculina era criminalizada pelo Parágrafo 175, e a medicina muitas vezes tratava a diversidade sexual como doença ou desvio. Hirschfeld fazia parte de uma corrente que tentava mudar esse quadro, defendendo uma compreensão mais humana e científica. O tom do livro costuma ser lembrado como objetivo e afetuoso: em vez de transformar as pessoas retratadas em casos clínicos, o autor busca mostrar seus cotidianos.

Isso não significa que a obra esteja livre das limitações de seu tempo. A linguagem, as categorias e as explicações científicas de 1904 são muito diferentes das que usamos hoje. Ler o livro com olhar histórico — sem transformar seus conceitos em diagnóstico ou em receita — é a melhor forma de aproveitá-lo.

## O que o livro mostra

A descrição da fonte indica que Hirschfeld aborda a cultura LGBTQ+ berlinense de forma acessível, falando de alegrias e preocupações dessa comunidade. Podemos imaginar o tipo de cena que o texto ajuda a reconstruir: pessoas se encontrando em bares e clubes, criando redes de apoio, lidando com a vigilância social e buscando algum espaço de reconhecimento. Esses elementos tornam a obra útil não só para quem pesquisa sexologia, mas também para quem se interessa pela história das cidades, dos movimentos sociais e das subculturas.

É importante não esperar do livro uma fotografia exata das identidades atuais. O retrato é de uma Berlim específica, com códigos próprios, e foi escrito por um médico que tentava traduzir aquela realidade para um público mais amplo.

## “Terceiro sexo”: uma expressão de época

O título usa a ideia de “terceiro sexo”, um termo que circulava no período para falar de pessoas cuja sexualidade ou expressão de gênero não cabia no modelo binário então dominante. Hoje, essa expressão é histórica e não deve ser usada como substituta das identidades contemporâneas. Crossdresser, drag, travesti, pessoa trans e pessoa não binária são experiências distintas, com histórias e reivindicações próprias. O livro ajuda a entender o passado, mas não apaga essas diferenças no presente.

## Crossdressing e transvestismo no registro

A ficha da obra inclui assuntos como cross-dressing e transvestismo, o que pode despertar curiosidade em quem se interessa pelo tema. Vale um cuidado: o termo “transvestismo” foi formulado por Hirschfeld mais tarde, em 1910, e seu sentido mudou muito ao longo do século. Portanto, é possível que o livro de 1904 não use essa palavra exatamente como a entendemos hoje. Ao consultar edições e traduções, observe o ano, o tradutor e as notas editoriais para não confundir conceitos de épocas diferentes.

## Por que ler hoje

Para o leitor brasileiro interessado em crossdressing e expressão de gênero, a obra oferece uma perspectiva valiosa: mostra que a vontade de se apresentar de formas não previstas pela norma social não é um fenômeno recente. Também lembra que a busca por espaços seguros e por redes de convivência tem uma longa história.

A leitura pode ser feita como documento histórico, não como manual de etiqueta ou guia de saúde. Se você procura orientação sobre body modification, hormônios ou procedimentos estéticos, o caminho é conversar com profissionais de saúde qualificados — o livro não substitui esse acompanhamento.

## Como encontrar

*Berlins Drittes Geschlecht* aparece em acervos digitalizados e em registros bibliográficos como o da Open Library. Ao procurar uma edição, confira se o texto está em alemão, francês ou em tradução, e verifique a data e os responsáveis pela edição. Obras antigas podem estar em domínio público no Brasil, mas traduções e edições comentadas recentes podem ter direitos autorais próprios.

Para pesquisar sobre o tema com segurança, prefira bibliotecas, universidades e repositórios conhecidos. Evite compartilhar dados pessoais em sites duvidosos e desconfie de perfis que peçam informações sensíveis ou pagamentos para liberar conteúdo. A história merece ser estudada com curiosidade — e com privacidade.

## Segurança

- “Terceiro sexo” é um termo histórico; não o use para definir ou diagnosticar pessoas hoje.
- Ao buscar edições digitalizadas, prefira acervos confiáveis e proteja seus dados pessoais.
