# De ranas a princesas: livro de 1998 sobre travestilidade e saúde sexual

> Ficha comentada do livro do pesquisador costarriquenho Jacobo Schifter, publicado em 1998, que aborda crossdressing, travestilidade, comportamento sexual e prevenção de HIV na América Latina.

- Tema: Livros
- Tags: livros, crossdressing, travestilidade, história, saúde sexual, américa latina, pesquisa
- URL: https://camarimcross.com.br/a/de-ranas-a-princesas-livro-de-1998-sobre-travestilidade-e-saude-sexual
- Fonte original: Open Library - livros (https://openlibrary.org/works/OL1702540W)
- Atualizado: 2026-11-01

## O que é este livro

*De ranas a princesas* é uma obra do pesquisador costarriquenho **Jacobo Schifter**, publicada em **1998**. A ficha catalográfica do título (disponível na Open Library) traz os seguintes assuntos: comportamento sexual, travestis, travestismo, homens gays, prostituição masculina, sexo seguro na prevenção da Aids e crossdressing. Ou seja: é um trabalho de pesquisa social sobre vivências de gênero e sexualidade na América Central, escrito em um contexto muito específico — o dos anos 1990, auge das campanhas de prevenção ao HIV.

O título em espanhol já diz muito: a metáfora do sapo que vira príncipe conversa com a ideia de transformação, de aparência e de como a sociedade lê quem se apresenta de um jeito diferente do esperado.

## Por que um livro de 1998 ainda interessa

Porque a história do crossdressing e da travestilidade na América Latina é pouco documentada. Materiais como esse ajudam a entender de onde vêm estigmas que ainda hoje aparecem em conversas de família, em consultórios e na rua. Ler pesquisas antigas com olhar crítico é uma forma de perceber o quanto o vocabulário mudou — e o quanto algumas dificuldades permanecem.

Vale um aviso importante: em 1998 era comum que estudos acadêmicos misturassem, sob o mesmo rótulo, pessoas crossdressers, travestis, drag queens e homens gays. Hoje sabemos que são experiências distintas. **Crossdressing** é a prática de se vestir com roupas associadas a outro gênero, sem necessariamente ter relação com orientação sexual ou com identidade trans. **Travesti** é uma identidade latino-americana própria, com história e reivindicações políticas. **Drag** é performance artística. **Pessoa trans** e **pessoa não binária** dizem respeito à identidade de gênero. Nada disso é doença, piada ou sinônimo.

## Temas que aparecem na obra

- **Travestismo e expressão de gênero** como fenômeno social, e não como patologia.

- **Comportamento sexual** e redes de sociabilidade.

- **Prevenção de HIV e sexo seguro**, tema central da saúde pública nos anos 1990.

- **Vulnerabilidade social**, incluindo prostituição masculina como recorte de sobrevivência econômica e de risco à saúde.

O último ponto merece cuidado na leitura: falar de prostituição em pesquisa de saúde não é erotizar nem reduzir ninguém a isso. É reconhecer que parte da população estudada vivia situações de exclusão que aumentavam a exposição ao HIV — algo que os programas de saúde pública da época tentavam enfrentar com informação e preservativos.

## Como ler com proveito hoje

- **Contextualize.** É um retrato de um período, com o vocabulário daquele período.

- **Não confunda categorias.** Se o texto usar "travesti" de forma ampla, pergunte a quem se refere.

- **Cruze com fontes brasileiras.** A realidade do Brasil — com suas próprias autoras, coletivos e produções acadêmicas sobre travestilidade — é diferente da costa-riquenha.

- **Use a parte de saúde com atualização.** Informação sobre HIV mudou muito desde 1998: hoje existe tratamento eficaz, profilaxias e uma rede pública de atendimento no SUS.

## Onde encontrar

A ficha está na Open Library, que funciona como um catálogo aberto e às vezes permite empréstimo digital ou indica bibliotecas parceiras. Também vale procurar em acervos universitários brasileiros de ciências sociais e saúde coletiva, onde esse tipo de obra costuma aparecer em seções de estudos de gênero.

## Para quem este livro serve

Para quem gosta de história da comunidade, para estudantes que pesquisam gênero e saúde, para quem escreve sobre o assunto e quer entender como o tema era tratado décadas atrás. É leitura de arquivo, não manual de estilo de vida — mas arquivo também é afeto: saber que alguém pesquisou, ouviu e registrou essas vidas quando isso era ainda mais difícil já é um motivo para folhear.

Se o seu interesse é prático — montar um look, escolher a numeração certa de sapato, sair com segurança —, este não é o título mais direto. Ele brilha mesmo é como documento histórico e como ponto de partida para pensar saúde, estigma e dignidade.

## Segurança

- O livro foi publicado em 1998 e pode conter termos e informações de saúde desatualizados; para HIV/Aids, procure o SUS, a UBS ou organizações especializadas.
- Ao ler relatos sobre prostituição e vulnerabilidade, lembre-se de que se trata de contexto de pesquisa e de risco social, não de julgamento moral.
- Se você for pesquisar o tema, evite expor dados de terceiros e preserve a privacidade das pessoas entrevistadas.
