# Gênero e santidade no monaquismo bizantino: o livro de 1984

> Registro do estudo acadêmico de Khalifa Bennasser (1984) sobre gênero, santidade e vestimenta cruzada na vida monástica bizantina antiga, com pistas para ler essas histórias sem anacronismo.

- Tema: Livros
- Tags: história, bizâncio, monaquismo, santidade, gênero, livros, religião
- URL: https://camarimcross.com.br/a/genero-e-santidade-no-monaquismo-bizantino-o-livro-de-1984
- Fonte original: Open Library - livros (https://openlibrary.org/works/OL42473085W)
- Atualizado: 2026-11-01

## Um livro de catálogo, não uma biografia

O registro que originou esta página é o de um livro publicado em 1984: *Gender and sanctity in early Byzantine monasticism*, de autoria de Khalifa Bennasser. Não se trata de um manual prático nem de um relato pessoal — é um estudo acadêmico, disponível em inglês, indexado na Open Library com os assuntos "vida monástica e religiosa de mulheres", "história", "mulheres no cristianismo", "sexualidade e seus aspectos religiosos", "santas cristãs" e "travestismo".

Para quem se interessa pela história da expressão de gênero, esse recorte é mais interessante do que parece à primeira vista. Ele aponta para uma tradição antiga em que roupas, aparência e papéis de gênero se cruzavam dentro de instituições religiosas — muito antes de existirem as palavras que usamos hoje.

## O que o termo "travestismo" quer dizer aqui

No vocabulário acadêmico do século XX, "transvestism" era usado de forma ampla e hoje considerada datada, para descrever o ato de vestir roupas associadas ao gênero oposto. Aplicado ao monaquismo bizantino, o termo costuma se referir às narrativas hagiográficas de mulheres que se vestiram de homem para viver em mosteiros masculinos — figuras como Marina, Eugênia, Pelágia, Teodora e Apolônia, veneradas como santas em tradições cristãs orientais.

Duas ressalvas importantes:

- Essas personagens pertencem a relatos religiosos escritos séculos depois e com objetivos edificantes; não são biografias no sentido moderno.

- O motivo da "vestimenta cruzada" nesses textos servia a propósitos teológicos e ascéticos próprios da época, como o apagamento de distinções sociais e o ideal de anulação do eu.

Ler essas histórias com categorias atuais — crossdresser, travesti, pessoa trans — pode ser tentador, mas é anacrônico. As identidades contemporâneas têm contextos, lutas e significados próprios, e a pesquisa séria evita transformar santas medievais em antepassadas diretas de qualquer grupo. O que o livro de Bennasser oferece é justamente uma análise histórica do período, e não uma resposta sobre identidades atuais.

## Por que isso interessa a quem se monta hoje

Há pelo menos três motivos práticos para olhar para esse tipo de estudo.

**1. Amplia o repertório cultural.** Saber que a relação entre roupa, gênero e significado social existe há mais de mil anos ajuda a desmontar a ideia de que a expressão de gênero é uma novidade ou um "modismo".

**2. Ajuda a separar ficção de fato.** Muitos filmes e livros populares misturam monjas, freiras e personagens de gênero ambíguo de forma caricata ou fetichizada. Conhecer a discussão acadêmica dá repertório para reconhecer quando uma obra está sendo respeitosa e quando está apenas explorando estereótipos.

**3. Dá vocabulário.** Termos como hagiografia, ascetismo e vida monástica aparecem em textos de história da arte, em museus e em resenhas. Entender o básico facilita acompanhar exposições e leituras sobre Bizâncio, ícones e arte sacra.

## Como encontrar o material no Brasil

O livro é antigo, em inglês e de circulação restrita. Caminhos realistas:

- Consultar o catálogo da Open Library e verificar se há registro em bibliotecas parceiras;

- Buscar em acervos de universidades com programas de História, Ciências da Religião ou Estudos de Gênero — muitas permitem consulta local ou empréstimo entre bibliotecas;

- Procurar artigos posteriores que citem Bennasser; resenhas e revisões costumam resumir as teses centrais quando o livro é de difícil acesso;

- Verificar se existe tradução em português. Pelo que se sabe, não há edição brasileira, então espere ler em inglês ou contar com apoio de tradução.

Se o seu interesse é mais leve, comece por obras de divulgação sobre Bizâncio e por verbetes de enciclopédias acadêmicas sobre "santas transvestidas". São portas de entrada mais acessíveis e igualmente sérias.

## Um cuidado com as fontes

Ao pesquisar o tema na internet, é comum cair em páginas que tratam essas narrativas como curiosidade, piada ou fetiche. Vale desconfiar de conteúdo que ridiculize pessoas, que apague o contexto religioso ou que tente usar a história para atacar pessoas trans, travestis ou crossdressers. História serve para entender melhor o presente — não para julgar identidades alheias.

Se você se interessa pelo assunto por motivos pessoais, tudo bem: pesquisar é uma forma legítima de construir repertório e autoconhecimento. Só lembre que um livro de 1984 sobre monaquismo não define quem você é hoje.

## Segurança

- Evite projetar identidades atuais (crossdresser, travesti, trans) em personagens históricas; contextos e significados são diferentes.
- Desconfie de páginas que tratem o tema como piada, fetiche ou arma contra pessoas trans e travestis.
- Livro em inglês e de circulação restrita: prefira bibliotecas universitárias e fontes acadêmicas revisadas.
