# I Am Not Myself These Days: alter ego, amor e excessos

> Resenha do memoir de Josh Kilmer-Purcell, publicado em 2006, sobre alter ego, vida noturna em Nova York, afeto e excessos, com humor e melancolia.

- Tema: Livros
- Tags: livro, memória, crossdressing, drag, nova-york, relacionamentos, dependência-química
- URL: https://camarimcross.com.br/a/i-am-not-myself-these-days-alter-ego-amor-e-excessos
- Fonte original: Open Library - livros (https://openlibrary.org/works/OL5846617W)
- Atualizado: 2026-11-01

Publicado em 2006, **I Am Not Myself These Days** é um memoir de Josh Kilmer-Purcell que olha para uma Nova York noturna, festiva e instável. Não se trata de um guia de crossdressing nem de um manual de maquiagem: é uma narrativa pessoal sobre identidade, alter ego, afeto e excessos. O autor mistura cenas de boates, encontros, humor e melancolia para contar uma história em que a persona pública e a vida íntima nem sempre cabem no mesmo corpo.

## O que o livro propõe

A obra acompanha alguém que vive entre a euforia da noite e a solidão do dia seguinte. A escrita é ágil, com diálogos, cenas de bastidor e uma cidade grande que funciona quase como personagem. O leitor encontra uma história de amor instável, humor ácido e reflexões sobre até onde uma pessoa vai para manter uma imagem ou uma relação.

O título já sugere o tema central: a sensação de não ser totalmente si mesmo. Isso aparece tanto nas performances e nos alter egos quanto nas escolhas afetivas e no modo como o narrador tenta se encaixar em expectativas alheias.

## Temas centrais

- **Alter ego e performance:** o livro trata da criação de personagens para circular à noite e da distância entre quem se apresenta ao mundo e quem se é em casa.

- **Relacionamentos:** há uma relação amorosa marcada por cumplicidade, desgaste e dependências, retratada com humor e tristeza.

- **Vida noturna e cidade:** Manhattan surge como cenário de liberdade, mas também de solidão e de excessos.

- **Excesso e vulnerabilidade:** a narrativa não romantiza a autodestruição; mostra os custos emocionais e físicos de uma rotina intensa.

É importante não confundir categorias. **Crossdressing**, **drag** e **identidade trans** são experiências diferentes. O livro fala de uma memória pessoal ligada a persona, performance e expressão de gênero, mas não representa toda a comunidade LGBTQIA+. Cada pessoa vive sua identidade de um jeito próprio, e respeitar como alguém se nomeia é parte essencial da conversa.

## Para quem pode interessar

A leitura interessa a quem gosta de memórias, cultura noturna, histórias de cidade grande e relatos sobre construção de persona. Também pode agradar leitores de narrativas com humor ácido e personagens imperfeitos. Não é uma obra didática sobre crossdressing, e sim uma história pessoal com qualidades literárias: diálogos afiados, cenas vívidas e uma mistura de deboche e vulnerabilidade.

Quem procura um relato mais direto sobre primeiros passos, roupas, maquiagem ou segurança no dia a dia talvez encontre aqui inspiração atmosférica, mas não instruções práticas. Para isso, valem guias específicos e conversas com pessoas da comunidade.

## Um recorte de época

O livro foi lançado nos anos 2000 e olha para uma cena noturna anterior, com códigos, espaços e costumes próprios. Por isso, é também um documento afetivo de um período: mostra como certos ambientes funcionavam, quais riscos existiam e como as pessoas criavam redes de apoio e sobrevivência.

No Brasil, leitores podem aproveitar a obra como porta de entrada para conversas sobre expressão de gênero, privacidade e saúde emocional. Se o tema despertar curiosidade, vale combinar a leitura com livros de autores brasileiros, grupos locais e conteúdos feitos por pessoas da comunidade.

## Leitura com cuidado

A obra retrata uso de álcool e outras drogas, além de relações afetivas conturbadas. Esses temas são parte da história, mas não devem ser tratados como modelo. Se você se identificar com os excessos narrados, procure apoio profissional e pessoas de confiança. Autocuidado, limites e privacidade também são formas de respeito à própria trajetória.

## Segurança

- O livro retrata uso de álcool e outras drogas; não trate excessos como estilo de vida e procure apoio se o uso afetar sua saúde.
- Ao sair montada, priorize locais combinados, avise alguém de confiança e cuide da privacidade de fotos e perfis.
- Crossdressing, drag, travestilidade e identidade trans são experiências distintas; respeite como cada pessoa se nomeia.
