Kenneth J. Zucker é um psicólogo americano-canadense nascido em 1950, conhecido por seu longo trabalho com crianças e adolescentes de gênero diverso e por uma trajetória que acumula críticas severas de organizações de direitos humanos, profissionais de saúde mental e pessoas trans. Para a comunidade crossdresser, drag, travesti, trans e não binária, entender esse caso ajuda a reconhecer modelos de cuidado que ferem a autonomia e a dignidade. Essas identidades são diferentes entre si e não são doença.

Uma abordagem não afirmativa

Zucker ficou associado a um modelo de atendimento que tentava fazer crianças e adolescentes se conformarem ao gênero atribuído no nascimento. Em vez de acolher a expressão de gênero, o foco era reduzir comportamentos considerados inadequados — como meninos brincarem com bonecas ou usarem roupas vistas como femininas. Críticos descrevem esse tipo de intervenção como coercitiva e potencialmente danosa; algumas entidades chegaram a classificá-la como abusiva. A clínica que ele coordenava no CAMH, em Toronto, foi fechada, e ele foi demitido em 2015.

Estudos com crianças

Entre 1993 e 1996, Zucker realizou estudos que hoje são amplamente questionados do ponto de vista ético. Ele usou fotografias de crianças atendidas em sua clínica e pediu que adultos avaliassem o quanto rostos e troncos pareciam atraentes. Os resultados foram publicados na Archives of Sexual Behavior, revista que ele mais tarde editou. As conclusões associavam aparência física a diagnóstico de identidade de gênero, algo sem base científica sólida e com implicações profundas para a forma como crianças de gênero diverso eram vistas.

Desistência, família e culpa

Zucker também defendeu que a maioria das crianças deixaria de ser trans com o tempo, a chamada desistência. Esse argumento é criticado porque mistura crianças com experiências diferentes e ignora que muitas foram pressionadas a esconder quem são. Críticos apontam que ele culpava a dinâmica familiar e a saúde mental materna pela expressão de gênero da criança, além de sugerir, em textos de terceiros, que baixa escolaridade, imigração e QI seriam preditores — uma leitura carregada de preconceitos.

Alianças e a teoria da autoginefilia

Zucker foi próximo de grupos que se opõem a cuidados afirmativos, como o Pediatric and Adolescent Gender Dysphoria Working Group, e participou de eventos da Society for Evidence-Based Gender Medicine. Em 2025, apareceu em uma reunião com outros defensores da autoginefilia, teoria controversa que tenta explicar a identidade trans feminina de forma patologizante. A teoria é rejeitada por grande parte da pesquisa atual e é usada para deslegitimar mulheres trans. O livro The Man Who Would Be Queen (2003), de J. Michael Bailey, resumiu algumas das ideias de Zucker e foi alvo de fortes críticas.

O que isso significa para a comunidade

Para quem se monta, se expressa fora das normas de gênero ou vive uma identidade trans, o caso serve de alerta. Cuidado de verdade não tenta corrigir a expressão de gênero; ele acolhe, informa e respeita o tempo da pessoa. Práticas de conversão e modelos não afirmativos são considerados antiéticos por conselhos profissionais e por organismos de saúde. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia tem resolução que veda tratar homossexualidade como doença e praticar conversão; decisões judiciais já geraram disputa sobre o tema, então vale buscar profissionais que trabalhem com afirmação e respeito. A LGBTfobia é criminalizada pelo STF desde 2019, e denúncias podem ser feitas em delegacias e canais de direitos humanos.

Sinais de um cuidado ruim

  • tentar impedir que a pessoa use roupas, brinquedos ou nomes ligados ao gênero com que se identifica;
  • culpar a família ou a pessoa pela própria expressão de gênero;
  • prometer cura ou correção da orientação sexual ou da identidade de gênero;
  • usar teorias como a autoginefilia para explicar a experiência trans sem ouvir a pessoa;
  • insistir em diagnóstico ou tratamento sem consentimento e sem linguagem acessível.

Apoio e segurança

Se você está explorando sua expressão de gênero, procure grupos de apoio, profissionais que respeitem seu nome e pronomes e materiais confiáveis. Não é preciso passar por avaliações que tentem enquadrar você em um modelo único. Privacidade também importa: ao buscar ajuda online, evite expor dados pessoais em perfis públicos e desconfie de promessas de cura ou de resultados rápidos. Questões de saúde, como hormônios e procedimentos, devem ser acompanhadas por profissionais médicos; não use medicamentos por conta própria.

Segurança

  • Práticas de conversão e modelos não afirmativos causam danos à saúde mental; procure apoio afirmativo e respeitoso.
  • Não inicie hormônios ou medicamentos por conta própria; busque acompanhamento médico.
  • Proteja sua privacidade ao buscar ajuda online e desconfie de promessas de cura.
  • No Brasil, a LGBTfobia é criminalizada pelo STF desde 2019; denúncias podem ser registradas em delegacias e canais de direitos humanos.
Fonte original

Este texto foi reescrito e adaptado para o português a partir de Transgender Map - crossdressing. Recomendamos a leitura do original.

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