# Quem é Andrew Conru, o financiador de pesquisas sobre "autoginofilia"

> Perfil do empresário americano Andrew Conru, dono de sites de encontros adultos que financia estudos sobre "autoginofilia" e grupos contrários à comunidade trans, e as alegações sobre seu perfil anônimo.

- Tema: Identidade e gênero
- Tags: autoginofilia, comunidade trans, crossdressing, pesquisa, privacidade, desinformação
- URL: https://camarimcross.com.br/a/quem-e-andrew-conru-o-financiador-de-pesquisas-sobre-autoginofilia
- Fonte original: Transgender Map - crossdressing (https://www.transgendermap.com/people/andrew-conru)
- Atualizado: 2026-10-31

## Um nome pouco conhecido por trás de um debate muito barulhento

Se você já esbarrou, em fóruns e redes, com o termo "autoginofilia" (AGP) usado para explicar por que alguém se monta, vale conhecer quem vem bancando boa parte da produção de conteúdo sobre o assunto. Andrew Bryan Conru é um empresário americano da área de tecnologia, nascido em 3 de fevereiro de 1968 em Michigan City, Indiana, formado em engenharia pelo Rose-Hulman Institute of Technology (1990) e com doutorado pela Stanford (1997).

Ficou conhecido no mercado por fundar o WebPersonals.com em 1994 e, em 1996, a rede FriendFinder, que deu origem ao Adult Friend Finder, ao Alt.com e a outros sites de encontros. Vendeu o negócio em 2007, retomou o controle em 2013 após a falência da compradora e, em 2010, criou a incubadora sem fins lucrativos Compute.org. É casado com a bibliotecária Nonie Xue Conru.

## O que é "autoginofilia" e por que ela gera tanta polêmica

A palavra foi cunhada nos anos 1980 para descrever a ideia de que a motivação de algumas pessoas para se montar ou viver como mulher viria de uma excitação voltada para a própria imagem feminina. É uma teoria contestada há décadas: dentro da comunidade, muitas pessoas crossdresser, travestis, mulheres trans e pessoas não binárias a rejeitam, porque ela trata identidade e expressão de gênero como fetiche e apaga trajetórias de vida muito mais complexas.

Vale lembrar o chão firme: a Classificação Internacional de Doenças (CID-11) não lista crossdressing como transtorno, e a incongruência de gênero aparece lá no capítulo de condições ligadas à saúde sexual — não como doença mental. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia também veda práticas de patologização da homossexualidade e das identidades de gênero. Montar-se não é sintoma de nada.

## Financiamento de pesquisa e de agenda política

Conru aparece como financiador de estudos e publicações que popularizam o conceito. Segundo o próprio relato dele, procurou pesquisadores acadêmicos interessados no tema e passou a bancar um levantamento com o psicólogo Kevin Hsu, da Penn State. O termo de consentimento de uma dessas pesquisas, de 2021, mencionava de forma explícita recursos da Conru Foundation.

Em 2023, o livro *Autoheterosexual: Attracted to Being the Other Sex*, assinado por "Phil Illy", traz Conru nos agradecimentos e um prefácio escrito por ele. No texto, ele conta que se reconheceu no conceito, defende que os homens que se identificam com a AGP não estão "loucos" e afirma que prefere essa leitura a tratamentos hormonais e cirúrgicos — para ele, opcionais e não os únicos caminhos. Essa parte do discurso precisa ser lida com cuidado: no Brasil, hormônios e cirurgias exigem acompanhamento médico, e nenhuma decisão sobre o próprio corpo deveria ser tomada a partir de livro ou de fórum.

Reportagens e investigações publicadas fora do Brasil — entre elas matérias do *Guardian* e da *Seattle Times* em outubro de 2024, e um relatório da organização HOPE not hate — apontam doações dele a iniciativas de extrema-direita, incluindo um milhão de dólares a uma fundação ligada a estudos de "ciência racial" e cerca de 150 mil dólares ao Turning Point USA entre 2019 e 2021. O mesmo material cita apoio a grupos de defesa de "liberdade de expressão" usados contra pautas trans e oposição a cuidados de afirmação de gênero para menores de idade.

## As alegações sobre o perfil "Vabrita Love"

Em 2023, um usuário banido do Adult Friend Finder afirmou, em blog, que Conru seria a pessoa por trás do perfil @VabritaLove no X. A conta se apresenta como um "crossdresser autoginofílico casado" e falava em criar um espaço para quem gosta de se imaginar como mulher. Publicações do perfil citam o encontro acadêmico *Puzzles of Sexual Orientation*, realizado em 2023 na Universidade de Lethbridge, no Canadá, e uma foto oficial do evento inclui Conru. Trata-se de alegação, não de confirmação pública por parte dele — e é justo registrar assim.

## Por que isso importa para quem se monta no Brasil

Porque a narrativa que explica o crossdressing apenas como fetiche volta e meia reaparece em vídeos, podcasts e tópicos de fórum, geralmente sem contexto. Conhecer a origem do financiamento ajuda a ler essas produções com mais filtro: não é estudo neutro caindo do céu, é um projeto com patrocínio e com uma agenda política declarada.

Nada disso, porém, é motivo para rir de quem se identifica com o rótulo ou se descreve como autoginofílico. Cada pessoa tem direito de nomear a própria experiência — o problema está em transformar essa descrição em explicação universal e em usá-la para negar direitos de travestis, mulheres trans e pessoas não binárias, que são identidades e sujeitos de direito próprios, distintos de crossdressing e de drag.

No Brasil, quem se monta conta com marcos importantes: o decreto federal que garante nome social em órgãos públicos, a resolução do Conselho Nacional de Justiça sobre registro civil, o Processo Transexualizador do SUS e o entendimento do STF, de 2019, que equiparou a LGBTfobia ao crime de racismo. Vale conhecer esses instrumentos.

## Cuidados com privacidade

Se você usa sites de encontros adultos, proteja-se: use e-mail e apelido exclusivos, evite fotos com rosto em perfis públicos, desconfie de pedidos de dinheiro e nunca envie documentos. Contas e apelidos diferentes podem ser ligados por detalhes (mesma foto, mesmo texto, mesma rotina), então pense duas vezes antes de repetir informações entre perfis.

E, se o assunto mexer com a sua forma de se entender, converse com um profissional de saúde mental de confiança — de preferência alguém com experiência em gênero e sexualidade. Autoconhecimento é um caminho, não um diagnóstico baixado da internet.

## Segurança

- Alegações de que um perfil anônimo pertence a uma pessoa específica devem ser tratadas como alegações, não como fato — cuidado ao expor identidades de terceiros.
- Teorias como a "autoginofilia" não são diagnóstico e não devem ser usadas para se rotular sozinha; procure um profissional se o tema causar sofrimento.
- Hormônios e cirurgias exigem acompanhamento médico no Brasil; nunca siga doses ou protocolos de livros, fóruns ou vídeos.
- Em sites de encontros adultos, use apelido e e-mail exclusivos, evite fotos identificáveis e desconfie de pedidos de dinheiro ou documentos.
