# Tīsrī jins: entrevistas sobre a vida de eunucos no Sindh

> Livro de 2010 do autor Ak̲h̲tar Ḥusain Baloc reúne entrevistas feitas no Sindh, Paquistão, sobre dificuldades e condições sociais de eunucos, além de temas de crossdressing e identidade de gênero.

- Tema: Livros
- Tags: paquistão, sindh, livro, entrevistas, khwaja-sira, identidade-de-gênero, história-cultural
- URL: https://camarimcross.com.br/a/tisri-jins-entrevistas-sobre-a-vida-de-eunucos-no-sindh
- Fonte original: Open Library - livros (https://openlibrary.org/works/OL15888111W)
- Atualizado: 2026-11-03

## O que é este livro

*Tīsrī jins* é uma obra publicada em 2010 pelo autor Ak̲h̲tar Ḥusain Baloc. A ficha da Open Library a descreve como uma coletânea de entrevistas com eunucos no Sindh, província do Paquistão, tratando de problemas enfrentados por essas pessoas e de suas condições sociais. É, portanto, um registro de histórias ouvidas, e não um romance nem um manual de comportamento.

O título pode ser entendido como “terceiro sexo” ou “terceiro gênero”. Essa expressão tem circulação em contextos do Sul da Ásia, mas não funciona como um rótulo universal. A própria ficha do livro usa a palavra inglesa *eunuchs* e também indexa termos como *transvestites*, *cross-dressers* e *transgender people*. Essas palavras aparecem no catálogo para facilitar a busca; não significam que todas as pessoas entrevistadas se identificassem da mesma forma. Em comunidades do Paquistão e da Índia, termos como *khwaja sira* e *hijra* têm histórias próprias e não devem ser automaticamente traduzidos por “crossdresser” ou “travesti”.

## Por que a obra importa

A importância do livro está em dar espaço à fala de pessoas que muitas vezes são retratadas por terceiros, de modo caricato ou sensacionalista. Ao reunir entrevistas, o autor coloca em primeiro plano relatos sobre trabalho, família, preconceito, organização social e vida cotidiana. Para quem estuda gênero, sexualidade e história cultural do Sul da Ásia, é uma fonte que ajuda a complexificar o debate.

Também serve como lembrete para leitores brasileiros: expressões de gênero variam conforme cultura, classe, religião, território e geração. O que no Brasil chamamos de crossdressing, travestilidade, identidade trans ou drag performance não corresponde necessariamente às categorias usadas no Sindh. Aproximar esses mundos exige cuidado, e não tradução apressada.

## O que esperar da leitura

Por ser um livro de entrevistas, *Tīsrī jins* tende a interessar mais a quem gosta de história oral, sociologia e estudos de gênero do que a quem procura um relato único e linear. A estrutura deve ser lida como uma conversa coral: cada pessoa entrevistada traz sua experiência, e o conjunto mostra que não existe uma “comunidade” homogênea. Há diferenças de idade, renda, vínculos familiares, religiosidade e inserção social.

A ficha não informa tradução para o português. Quem não lê o idioma original pode buscar resenhas acadêmicas, capítulos citados em pesquisas sobre *khwaja sira* e materiais de bibliotecas universitárias. Vale desconfiar de resumos na internet que transformem o livro em curiosidade exótica: o valor está justamente na escuta das pessoas entrevistadas.

## Cuidados de linguagem

“Eunuco” é um termo histórico e impreciso, usado de formas diferentes ao longo do tempo. Não é sinônimo de pessoa trans, de travesti, de drag queen ou de crossdresser. Ao comentar a obra, o mais respeitoso é dizer que se trata de uma pesquisa sobre pessoas designadas por essa palavra no contexto estudado, sem transformar o termo em piada ou diagnóstico.

Também é importante não confundir identidade de gênero com expressão de gênero. Uma pessoa pode se apresentar com roupas associadas a outro gênero sem ser trans; outra pode ser trans e não fazer crossdressing. Drag, por sua vez, é performance artística. Essas distinções ajudam a ler o livro sem apagar as diferenças entre as experiências.

## Ponte com o Brasil

No Brasil, o nome social é garantido em diversos serviços públicos, e o Supremo Tribunal Federal reconheceu a omissão do Congresso em criminalizar a LGBTfobia. Essas referências são importantes para pensar cidadania, mas não resolvem automaticamente as questões do Sindh. Cada país tem seu histórico de colonialismo, leis locais, religiosidades e formas comunitárias de organização.

Para o leitor do CamarimCross, a obra pode ser uma porta de entrada para entender que crossdressing e identidades de gênero não começaram ontem nem acontecem só no Ocidente. Mas a leitura deve ser feita com humildade: escutar relatos não é o mesmo que falar pelas pessoas. Se o assunto despertar interesse pessoal, procure grupos de apoio, bibliografia confiável e, quando necessário, acompanhamento profissional.

## Segurança

- Evite usar “eunuco” como sinônimo universal de pessoa trans, travesti ou crossdresser; identidades do Sul da Ásia têm histórias próprias.
- Ao citar entrevistas ou relatos pessoais, preserve o anonimato e o contexto de quem falou.
- Não trate termos como khwaja sira ou hijra como curiosidade exótica; use fontes respeitosas e, de preferência, produzidas com participação das comunidades.
