# Transvestites and Transsexuals: um clássico de 1976 sobre gênero e expressão

> O livro de Deborah Heller Feinbloom, publicado em 1976, é uma das primeiras obras a tratar crossdressing e identidade trans fora do tom de curiosidade mórbida. Vale conhecer pelo valor histórico, com olhar crítico sobre a terminologia da época.

- Tema: Livros
- Tags: livros, história, gênero, crossdressing, sociologia, anos-1970
- URL: https://camarimcross.com.br/a/transvestites-and-transsexuals-um-classico-de-1976-sobre-genero-e-expressao
- Fonte original: Open Library - livros (https://openlibrary.org/works/OL163332W)
- Atualizado: 2026-11-01

## Um registro de biblioteca que abre uma porta

Quem procura material sério sobre crossdressing e acaba no catálogo da Open Library encontra um título curto e direto: *Transvestites and Transsexuals*, de Deborah Heller Feinbloom, com primeira publicação em **1976**. O registro lista os assuntos que a obra aborda: travestismo, cross-dressing, mudança de sexo, transição de gênero, terapia hormonal e cirurgia de redesignação. É pouco, mas já diz muito: quase cinquenta anos atrás alguém se dispôs a escrever sobre o tema tratando as pessoas envolvidas como sujeitos, não como piada ou caso clínico.

## O que a obra é (e o que ela não é)

Feinbloom era socióloga e escreveu a partir de um lugar de escuta — algo raro na literatura da época, em que o assunto costumava aparecer em manuais médicos com vocabulário de patologia. O livro é um retrato do seu tempo: descreve experiências de pessoas que se montavam, de pessoas que buscavam transição e das instituições com que elas esbarravam.

Importante: **não** espere um guia prático de maquiagem ou de compras. É leitura de contexto, história e reflexão. Também não consta tradução brasileira no registro consultado, então quem quiser ler vai precisar do inglês ou de uma edição de sebo.

## Por que uma obra de 1976 ainda importa

Ler o que se escrevia sobre nós décadas atrás ajuda a medir o quanto o vocabulário andou. Em 1976, "travesti" e "transexual" eram usados de formas que hoje consideramos imprecisas ou até desrespeitosas. A própria palavra "travestismo" carrega história clínica pesada. Um leitor ou leitora de hoje precisa fazer esse ajuste mental o tempo todo.

Também serve para enxergar continuidades: a busca por acompanhamento hormonal e cirúrgico, o medo do julgamento familiar, a tensão entre privacidade e desejo de visibilidade — temas que aparecem no livro e que continuam na roda de conversa de qualquer grupo de apoio.

## Terminologia: o mapa atual, para não se perder

- **Crossdresser**: pessoa que se veste com roupas associadas a outro gênero, por expressão, conforto ou prazer estético, sem necessariamente desejar mudar de identidade.

- **Pessoa trans** (mulher trans, homem trans): identidade de gênero diferente da atribuída no nascimento.

- **Travesti**: identidade feminina latino-americana, com história e cultura próprias; não é sinônimo de crossdresser nem de "fantasia".

- **Drag**: performance artística de gênero, feita em palco ou em eventos, e não uma identidade cotidiana.

- **Pessoa não binária**: identidade que não se organiza no par homem/mulher.

Nada disso é doença, e nenhum desses grupos é o outro. O livro de 1976 embaralha essas categorias porque a época as embaralhava; hoje temos vocabulário melhor e podemos ler com essa lente.

## O que dá para aproveitar na leitura

- **Contexto histórico**: entender como a conversa pública sobre gênero se formou no século 20.

- **Empatia com quem veio antes**: muita gente se montou em segredo absoluto, sem internet, sem grupo, sem vocabulário.

- **Pensamento crítico**: comparar o texto com o que sabemos hoje é um ótimo exercício de leitura ativa.

- **Ponte para pesquisas atuais**: o registro do livro serve de ponto de partida para buscar estudos brasileiros contemporâneos sobre expressão de gênero.

## Limites, cuidados e o Brasil de hoje

A obra descreve terapia hormonal e cirurgias como eram tratadas nos anos 1970. **Nada do que está ali serve como orientação médica.** Hormônios e procedimentos exigem acompanhamento profissional; no Brasil, o Processo Transexualizador do SUS existe desde 2008 e foi ampliado em 2013, com equipes multiprofissionais. Procure um serviço de saúde, não um fórum de internet.

No campo dos direitos, o cenário também mudou: o nome social é garantido em diversos serviços e o STF reconheceu, em 2019, a LGBTfobia como crime nos termos da lei de racismo. Isso não resolve o dia a dia de ninguém, mas é informação útil quando se precisa argumentar.

Por fim, um lembrete de privacidade: se você se interessa pelo tema e vive uma fase de descoberta, evite expor nome completo, endereço ou fotos reconhecíveis em fóruns abertos. Combine com quem você confia, escolha canais fechados, desconfie de perfis que pedem documentos ou dinheiro.

## Vale a pena?

Se você gosta de história, sociologia e quer entender de onde vem a conversa que hoje acontece nas redes, sim. Leia como documento de época, com a curiosidade de quem visita um museu: respeitando o que se viveu ali e sem trazer para casa os preconceitos do acervo.

## Segurança

- O livro é de 1976 e usa terminologia hoje considerada desatualizada ou inadequada; leia com essa ressalva.
- As menções a hormônios e cirurgias no texto têm valor histórico, não médico: procure acompanhamento profissional.
- Ao buscar edições usadas ou PDFs, prefira sebos e bibliotecas confiáveis; desconfie de downloads que pedem dados pessoais.
