# Westboro Baptist Church: o grupo anti-LGBTQ+ que ataca pessoas trans

> Conheça a história da Westboro Baptist Church, igreja norte-americana conhecida por protestos anti-LGBTQ+, seu discurso contra pessoas trans e o que isso ensina sobre direitos e segurança no Brasil.

- Tema: História e cultura
- Tags: westboro, lgbtfobia, direitos-trans, história, religião, estados-unidos
- URL: https://camarimcross.com.br/a/westboro-baptist-church-o-grupo-anti-lgbtq-que-ataca-pessoas-trans
- Fonte original: Transgender Map - crossdressing (https://www.transgendermap.com/issues/groups/westboro-baptist-church)
- Atualizado: 2026-11-01

## Um grupo pequeno, um barulho enorme

A Westboro Baptist Church (WBC) é uma igreja independente de Topeka, no Kansas (EUA), fundada em 1955 pelo pastor Fred Phelps. Durante as primeiras três décadas, funcionou como uma congregação comum. A partir dos anos 1990, virou sinônimo de protestos públicos agressivos — contra pessoas LGBTQ+, mas também contra ateus, judeus, muçulmanos e outras denominações cristãs.

É importante dizer de saída: a WBC não representa o cristianismo como um todo, nem mesmo a maioria das igrejas evangélicas. Diversas lideranças religiosas e organizações de direitos humanos a classificam como grupo extremista. Ainda assim, entender o que ela faz e como suas ideias circulam ajuda a se proteger e a responder a discriminação.

## Como o grupo se organizou

Em 1991, a igreja iniciou uma campanha de protestos em um parque de Topeka, alegando comportamento “imoral” no local. Nos anos seguintes, seus integrantes passaram a viajar pelo país para piquetar funerais de pessoas mortas por aids, paradas do orgulho, escolas, shows e festivais de cinema. Também protestaram no funeral de Matthew Shepard, jovem gay assassinado em 1998 em um crime amplamente tratado como motivação homofóbica.

Em 1999, o grupo lançou um site com dizeres hostis no endereço — site que ainda existe e é usado para divulgar manifestações. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a WBC passou a afirmar que a tragédia seria um castigo divino. Em 2005, começou a protestar em funerais de militares mortos no Iraque e no Afeganistão, o que gerou batalhas judiciais.

## O que a Justiça dos EUA decidiu

Em 2011, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 8 votos a 1, no caso *Snyder v. Phelps*, que os protestos em funerais realizados em espaço público estavam protegidos pela Primeira Emenda, que garante liberdade de expressão. Foi uma decisão amarga para as famílias, mas o entendimento foi o de que o Estado não pode punir o conteúdo do discurso em via pública.

Fred Phelps morreu em 2014. Depois disso, seus filhos Shirley Phelps-Roper e Timothy Phelps lideraram as manifestações, mas a influência do grupo diminuiu. Em 2012, vários familiares deixaram a igreja, entre eles Megan Phelps-Roper, que mais tarde se tornou crítica pública do grupo.

## O discurso específico contra pessoas trans

A WBC afirma que “a rebelião transgênera é um pecado contra Deus”. Em sermões e comunicados, o grupo repete a ideia de que existiriam apenas dois gêneros fixos e que hormônios, cromossomos ou documentos não mudariam isso. Também já atacou profissionais de saúde trans, atletas trans e escolas que acolheram estudantes trans — inclusive uma escola de ensino fundamental em 2019 e outra em 2023 —, além de ter anunciado protestos contra uma diretora drag queen em uma escola em 2024.

Há um ponto que interessa diretamente à nossa comunidade: em um desses comunicados, o grupo usa um versículo do Deuteronômio (22:5) sobre roupas “do sexo oposto” para condenar qualquer pessoa que vista roupas associadas a outro gênero. Essa passagem é frequentemente citada contra crossdressers. Vale lembrar que muitas pessoas religiosas — inclusive igrejas inclusivas no Brasil, como as da Igreja da Comunidade Metropolitana — leem a Bíblia de outra forma e acolhem a diversidade de gênero e de expressão.

Também é essencial não misturar as coisas: crossdresser, drag queen, travesti, pessoa trans e pessoa não binária são identidades e práticas diferentes, com histórias próprias. Grupos como a WBC tratam todas como se fossem a mesma “abominação”. Nós não fazemos isso.

## Por que isso importa para quem vive no Brasil

Aqui não temos uma WBC com o mesmo alcance, mas o discurso que ela ajuda a espalhar circula em redes sociais e em comentários de família. Duas ferramentas jurídicas ajudam a se proteger:

- **LGBTfobia é crime.** Em 2019, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADO 26 e o MI 4734, equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo (Lei 7.716/1989) até que o Congresso crie uma lei específica. Isso inclui ofensas e discursos de ódio.

- **Nome social é direito.** O Decreto 8.727/2016 garante o uso do nome social e da identidade de gênero em órgãos públicos federais; estados e municípios têm regras próprias, e o direito ao nome social também é reconhecido em decisões judiciais e em resoluções de conselhos de educação e saúde.

Denúncias podem ser feitas em delegacias (inclusive especializadas), no Disque 100 e em organizações LGBTQ+ locais. Reunir provas — prints, áudios, testemunhas — faz diferença.

## O que fazer diante de discurso de ódio

- **Não amplifique.** Compartilhar prints de slogans hostis costuma dar visibilidade ao grupo e machucar quem lê. Se precisar estudar o material, use versões arquivadas e evite visitar o site original.

- **Proteja sua identidade online.** Perfis separados, e-mails distintos e revisão de privacidade em redes sociais reduzem o risco de exposição e de golpes.

- **Busque apoio.** Ódio direcionado à sua identidade afeta a saúde mental. Conversar com amigos, grupos de acolhimento ou psicólogas que respeitem sua identidade não é fraqueza — é cuidado.

- **Responda em grupo.** Quando há manifestações hostis, contraprotestos pacíficos, ações culturais e redes de apoio costumam ser mais eficazes do que o confronto individual.

- **Cuide da família.** Se parentes citam argumentos religiosos, escolha o momento e o tom; sua segurança vem antes de qualquer debate.

## Segurança

- Evite visitar sites de grupos de ódio: isso gera tráfego e pode expor seus dados. Prefira fontes jornalísticas e relatórios de organizações de direitos humanos.
- Proteja sua identidade online com perfis separados e revisão de privacidade, especialmente se você se monta ou participa de comunidades.
- Se o discurso de ódio vier de pessoas próximas, priorize sua segurança física e emocional antes de tentar argumentar; procure apoio profissional ou grupos de acolhimento.
- Denúncias de LGBTfobia no Brasil podem ser feitas em delegacias, no Disque 100 e em organizações LGBTQ+ locais, com provas sempre que possível.
