Evento

Data
05/06/2020 a 05/06/2020
Local
Online, Brasil
Site
Página oficial

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Em 5 de junho de 2020, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) realizou o festival online TransMasculinezando. A atividade abriu o calendário do Mês do Orgulho e reuniu, ao longo de oito horas, ativistas, pesquisadores, artistas e profissionais de várias regiões do Brasil. O foco era ampliar a presença de homens trans e pessoas transmasculinas nos debates sobre ativismo, cultura, academia, política, saúde e trabalho.

Um encontro para tirar a transmasculinidade da invisibilidade

A proposta do festival era discutir o que significa transmasculinizar espaços sociais e políticos. Isso incluía desde a forma como as masculinidades trans aparecem na arte e na educação até a construção de políticas públicas e o enfrentamento da violência. A programação foi transmitida ao vivo, começando às 13h, e contou com painéis curtos, de cerca de meia hora, com convidados de diferentes estados.

Temas e convidados

A abertura ficou com Alexandre Peixe (SP), fundador do Movimento Nacional de Homens Trans e Transmasculinidades, que falou sobre história e apresentação do festival. Em seguida, Daniel Lima (SE), farmacêutico clínico e presidente da AMOSERTRANS, abordou a hormonização transmasculina e a compulsoriedade na afirmação de gênero.

Vicente Tchalian (MT), doutorando em Estudos de Cultura Contemporânea, trouxe o tema da educação e das masculinidades alternativas. Kaio Lemos (CE), antropólogo e presidente da ATRANSCE, discutiu laicidade, fé e religiosidade. Lucas Henrique (RN), fisioterapeuta e DJ, falou sobre saúde transmasculina para além da hormonização.

Tarso Brant, ator e artista, participou do painel sobre representatividade trans na arte. Theo Souza (RJ), escritor e diretor do Grupo Diversidade Niterói, explicou o conceito de interseccionalidade. Gael Jardim (RJ), cineasta e ativista, falou sobre transparência e a força da diversidade. Lam Mattos (SP), coordenador nacional do IBRAT, debateu a relação entre academia e movimentos sociais.

Lucca Najar abordou autoestima e empoderamento na vida de pessoas trans. Eric Seger (RS), formado em educação física e coordenador do grupo HTA, discutiu cissexismo e a produção da diferença sexual no esporte. Raicarlos Duran (PA), servidor público e articulador do Processo Transexualizador, tratou de conjuntura política e econômica, trabalho, emprego e renda.

Cauê Assis (AL), estudante de psicologia, poeta e secretário-geral da ACTTRANS, apresentou estratégias para enfrentar violências. Kaique Theodoro (SP), cantor e ator, falou sobre arte e transmasculinidade. O encerramento teve apresentação acústica de Erick Barbi (SP), cantor trans.

Por que o festival importa

O TransMasculinezando foi um esforço de visibilidade e memória. Ao reunir tantas vozes, a ANTRA colocou em pauta questões que afetam homens trans e pessoas transmasculinas no dia a dia: acesso à saúde, permanência na escola e na universidade, inserção no mercado de trabalho, segurança, religiosidade e representação cultural. O evento também reforçou a importância de nomear e respeitar identidades.

Para quem acompanha o CamarimCross, é importante separar conceitos. Crossdressing é uma prática de expressão por meio de roupas e aparência; transmasculinidade é uma identidade de gênero. Drag, travestilidade, pessoas trans e não binárias também são experiências distintas. Apoiar a visibilidade trans não significa apagar as especificidades de cada grupo.

O que observar em eventos online

Apesar de ter acontecido em 2020, a proposta segue útil como referência. Ao participar de lives e encontros da comunidade, prefira canais oficiais, confira quem está promovendo a atividade e proteja seus dados. Em temas de saúde, como hormonização, não use receitas ou doses caseiras: busque acompanhamento médico. E lembre-se de que respeito começa pela autodeclaração de cada pessoa.

Segurança

  • Hormonização e outros cuidados de afirmação de gênero exigem acompanhamento médico; não use doses ou receitas por conta própria.
  • Em eventos e grupos online, proteja sua identidade e desconfie de links, cobranças e pedidos de dados não oficiais.
  • Respeite a autodeclaração de gênero e não trate crossdressing, transmasculinidade, drag e travestilidade como sinônimos.
Fonte original

Este texto foi reescrito e adaptado para o português a partir de ANTRA - Associação Nacional de Travestis e Transexuais. Recomendamos a leitura do original.

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